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Feira de Santarém - 2018

2018, Dec 18
55ª Feira Nacional de Agricultura / 65ª Feira do Ribatejo Um evento cada vez mais internacional em que imperou a tecnologia e a inovação     A 55ª Feira Nacional de Agricultura / 65ª Feira do Ribatejo, evento que decorreu no Centro Nacional de Exposições, em Santarém, e cuja temática se centrou no “Olival e Azeite” foi o ponto de encontro da agricultura durante nove dias com a presença de Comissários Europeus, organizações internacionais, participantes estrangeiros oriundos de países como Espanha, Itália, França, Grécia, Tunísia, entre outros. De 2 a 10 de junho, a Feira deu a conhecer algumas das mais avançadas tecnologias e novidades para a produção agrícola e termina hoje com um balanço positivo na participação de expositores e área ocupada pelas empresas que marcaram presença no evento para divulgação de produtos e serviços. A Feira afirmou-se, uma vez mais, como o principal evento deste mercado e a grande montra do sector agrícola em Portugal para satisfação dos expositores e dos visitantes. Nesta área, realce para o investimento das empresas que tornaram possível uma exposição com uma imagem cada vez mais cuidada e que revela a importância do certame para estabelecer contactos e negócios. FNA 18 marcou a agenda politica A Feira Nacional de Agricultura marcou a agenda política da agricultura nacional e internacional com a presença de diversas individualidades com destaque para a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do 1º Ministro, António Costa, do Comissário Europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Phil Hogan, do Comissário Europeu para a Ciência, Investigação e Inovação, Carlos Moedas, Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino e de outros responsáveis como a Secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Sampaio, o Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luis Medeiros Vieira, o Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias ou Secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, também marcaram presença no evento. Phil Hogan, Comissário Europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural, considerou que a “Feira Nacional de Agricultura é cada vez mais um evento internacional devido à dimensão do evento e à presença de muitas individualidades estrangeiras.” O certame também foi palco da visita de líderes partidários como Rui Rio (PSD), Assunção Cristas (CDS/PP), Jerónimo de Sousa (PCP) ou Catarina Martins (BE). Os Eurodeputados Nuno Melo, Sofia Ribeiro e Cláudia Aguiar, a Comissão de Agricultura e Mar e o Presidente do CES, António Correia de Campos também marcaram presença no certame. A presença destes responsáveis foi uma demonstração clara da preocupação e interesse de várias entidades para com o setor e um voto de confiança na capacidade dos agricultores portugueses. O Comissário Europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Phil Hogan, esteve presente e apresentou as linhas gerais das mais recentes propostas da Política Agrícola Comum e o 1º Ministro, António Costa, disse que poderá contribuir mais para o orçamento comunitário, desde que não se coloque em causa as necessidades de Portugal e a redução do défice. Exposição de Maquinaria Agrícola Com a presença das principais marcas do mercado, a exposição de Maquinaria na Feira Nacional de Agricultura foi um dos principais sectores do evento que atraiu os profissionais e muitos outros visitantes impressionados com a dimensão desta área. A tecnologia e a inovação estiveram sempre presentes, uma evidência clara de um sector moderno e em crescimento, destacando-se o esforço das empresas em apresentar uma mostra com qualidade e com um grande investimento na decoração e arrumação dos espaços. Conversas de Agricultura e Encontros As várias conferências, seminários e colóquios que integram o ciclo “Conversas de Agricultura” contaram com a participação de representantes Comissão Europeia e de organizações de agricultores de países como Espanha, França, Grécia, Itália e especialistas de diversas áreas, sendo necessário recorrer a serviços de tradução simultânea para uma melhor compreensão das matérias. A Feira Nacional de Agricultura foi palco de 38 ações entre congressos, seminários (público em geral) e encontros que foram dirigidos a um público mais específico, como reuniões de trabalho promovidas por alguns concessionários. No campo dos colóquios, natural destaque para o “World Olive Oil Summit” e em especial a conferência “Os Grandes Desafios para a Agricultura no Futuro” na qual esteve presente o 1ª Ministro, António Costa, o Comissário Europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Phil Hogan e o Comissário Europeu para a Ciência, Investigação e Inovação, Carlos Moedas. Na área dos “encontros sectoriais”, o BPI apresentou o Prémio Nacional de Agricultura, uma iniciativa do Grupo Cofina e do BPI que tem como objetivo promover, incentivar e premiar casos de sucesso da agricultura nacional, a Caixa de Crédito Agrícola abordou as “Novas Aplicações para a Agricultura” e o Clube de Produtores Continente realizou aqui 1º Encontro do Conselho Científico sobre “Produção e Consumo Responsáveis”. Mais de 6.100 pessoas assistiram aos seminários, encontros e reuniões durante os nove dias de feira, o que mostra uma vez mais a dimensão e o interesse desta área na Feira Nacional de Agricultura. Concursos Nacionais A Feira Nacional de Agricultura voltou a colocar em destaque os produtos premiados nos vários Concursos Nacionais que decorreram no Centro Nacional de Exposições, em Santarém, de novembro de 2017 a maio de 2018, tais como: Concurso Nacional de Azeites de Portugal 2018Concurso de Vinhos de Portugal 20187º Concurso Nacional de Carnes Tradicionais Portuguesas5º Concurso Nacional de Sal e Condimentos Tradicionais Portugueses6º Concurso Nacional de Ervas Aromáticas Tradicionais Portuguesas e Infusões8º Concurso Nacional de Conservas de Pescado8º Concurso Nacional de Licores Conventuais e Tradicionais Portugueses3º Concurso Nacional de Alheiras2º Concurso Nacional de Produtos de Confeitaria Portuguesa5º Concurso Nacional de Chocolates Tradicionais1º Concurso Nacional de Leitão Assado8º Concurso Nacional de Enchidos8º Concurso Nacional de Ensacados7º Concurso Nacional de Pastéis e Empadas8º Concurso Nacional de Presuntos7º Concurso Nacional do Pão8º Concurso Nacional de Queijos Frescos Tradicionais Portugueses8º Concurso Nacional de Queijos Curados Tradicionais Portugueses8º Concurso Nacional de Queijos de Cura Prolongada Frescos Tradicionais Portugueses7º Concurso Nacional de Doçaria Conventual Portuguesa7º Concurso Nacional de Doçaria Rica Tradicional Popular Portuguesa7º Concurso Nacional de Doçaria Simples Tradicional Popular Portuguesa6º Concurso Nacional de Vinagres de Vinho e Outros Vinagres Tradicionais Portugueses9º Concurso Nacional de Mel3º Concurso Nacional de Sidras e Cervejas Artesanais Portuguesas3º Concurso Nacional de Gelados Artesanais Portugueses Recorde-se que estas iniciativas, que o CNEMA realizou em conjunto com a Qualifica/oriGIn Portugal, o CEPAAL – Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (Concurso Nacional de Azeites de Portugal), FNAP – Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (Concurso Nacional de Mel) e Viniportugal (Concurso Nacional de Vinhos) tiveram como objetivo estimular a produção de qualidade, dar a conhecer os melhores produtos nas diferentes regiões do país, incentivar o seu consumo, promover o encontro de produtores, empresas, técnicos e apreciadores. Os premiados que obtiveram a qualificação de “O melhor dos melhores” puderam beneficiar de um stand gratuito na Nave A os que alcançaram Medalhas de Ouro, Prata ou Bronze beneficiaram de descontos para participar no Salão Prazer de Provar. Neste âmbito, decorreram também as cerimónias de Entregas de Prémios dos vários concursos durante a Feira Nacional de Agricultura. Prazer de Provar O Salão Prazer de Provar reuniu algumas das maiores empresas do país que actuam ramo agro-alimentar e proporcionou aos visitantes um programa recheado de “Acções de Cozinha ao Vivo” desde a abertura até ao fecho das portas. Contabilizaram-se 47 ações, numa demonstração clara das empresas em promover e dar a conhecer os seus produtos. O Salão integrou ainda um espaço de exposição dedicado à iniciativa “Portugal Sou Eu”. Gastronomia A área da Gastronomia é uma das vertentes mais apreciadas da Feira Nacional de Agricultura e contou com a presença de muitos visitantes, que puderam saborear alguns dos melhores produtos portugueses.No Salão Prazer de Provar, os produtos vencedores dos Concursos Nacionais permitiram ao público escolher e apreciar algumas iguarias que não se encontram tão facilmente no mercado.Diversos restaurantes de carnes de raças autóctones e tasquinhas regionais promovidas por associações e coletividades do concelho de Santarém também participaram na feira. O evento contou ainda com a participação de expositores que colocaram à disposição do público uma grande variedade de produtos e que permitiu uma escolha diversificada para todo o tipo de clientes. Melhoria de condições para expositores e visitantes Prosseguindo a politica de anos anteriores, a Feira apostou, uma vez mais, na melhoria de condições para visitantes e expositores com a colocação de mais “zonas de sombreamento” na zona exterior de exposição e novas instalações sanitárias. Transportes Relativamente aos transportes, recorde-se que a CP proporcionou aos aos visitantes da Feira 30% de desconto, em viagens de ida e volta e a Feira Nacional de Agricultura, em colaboração com a Rodoviária do Tejo, colocou ao serviço dos visitantes do evento um serviço de autocarro gratuito para que os visitantes pudessem deslocar-se com mais facilidade, um serviço que contou com bastante adesão. O Mundo Rural em Exposição A Feira Nacional de Agricultura foi palco de uma assinalável mostra pecuária. Diferentes raças autóctones bovinas nacionais e exóticas, equinos representando as principais coudelarias nacionais, suínos de raça bísara e raça alentejana, caprinos, ovinos e galinhas poedeiras estiveram diariamente em exposição. No sector dos equinos, realce para várias provas como o 7º Concurso Nacional da Égua Afilhada da Raça Lusitana e o 24º Concurso Nacional Oficial das Coudelarias Portuguesas, que contaram com 70 exemplares a concurso. Também no sector pecuário, decorreram Concursos de Bovinos de Raça Charolesa, de Ovinos e de Suínos da Raça Alentejana, o que demonstra a importância e o interesse destas competições durante a Feira Nacional de Agricultura para os criadores. Realizaram-se ainda diversas competições envolvendo os campinos presentes como a “Corrida de Campinos”, “Prova de Condução de Cabrestos”, “Apartação e Condução do Cabresto” ou “Perícia de Campinos”. Em exposição estiveram permanentemente um milhar de efectivos e passaram pelo certame outros 280 exemplares entre Cavalos, Toiros, Vacas, Cabrestos, etc. Programa FNA 18 Relativamente à programação da Feira Nacional de Agricultura, prosseguiu-se a aposta em realizar as largadas em horários mais acessíveis.Durante nove dias, as iniciativas equestres estiveram no centro da ação da Feira Nacional de Agricultura e ocuparam um lugar de relevo no evento ao serem realizadas no Grande Ringue, uma das zonas mais nobres do certame.A actuação de artistas consagrados no Palco Grande Ringue e o espectáculo de vários DJ’s na zona do Lounge e Discoteca voltou a conquistar o público mais jovem. Dia do Município de Santarém Realce ainda para o Dia do Município de Santarém, 7 de junho, que promoveu várias iniciativas ao longo do dia e ofereceu convites aos residentes e trabalhadores no concelho de Santarém.O dia ficou marcado por uma grande adesão das pessoas que tiveram possibilidade de assistir a apontamentos e atividades culturais aproveitando a oportunidade para visitar os vários espaços do evento. Animação Tradicional e Popular Os visitantes também puderam usufruir de espaços dedicados a iniciativas da região como largadas de toiros, desfiles e provas de campinos, demonstrações de escolas de toureio, treino de forcados, entre outras. Neste âmbito, realce para a Nave C que contou com um programa próprio de animação, além de toda a envolvência que os grupos de música tradicional proporcionaram em diversas zonas aos visitantes da Feira. Imagem FNA 18 Uma das novidades da Feira Nacional de Agricultura foi a nova imagem e o impacto da decoração na entrada principal do evento com vários “olivais” distribuídos harmoniosamente e que surpreenderam os visitantes, com especial destaque para a oliveira milenar aqui colocada. Feira Nacional de Agricultura na Rede Com o intuito de promover a feira de uma forma mais direta a FNA 18 voltou a contar com a “APP Feira Nacional de Agricultura”, disponível para os sistemas IOS (Iphone e Ipad), Android, além do site www.feiranacionalagricultura.pt.O objetivo foi ter toda a informação inerente ao evento mais próxima do público desde informações úteis, o programa dia a dia, o mapa de localização de expositores ou as notícias do certame. Durante 9 dias a 55ª Feira Nacional de Agricultura / 65ª Feira do Ribatejo foi o centro das atenções da agricultura nacional, com uma presença alargada de expositores, representando quase todo o sector e apresentando simultaneamente características tradicionais e festivas, que fazem desta feira um acontecimento único no país.  

O desafio de sustentabilidade do chocolate

2018, Dec 18
Com o crescimento populacional a aumentar a procura e a reduzir a terra disponível, as empresas terão de incorporar a sustentabilidade nas suas operações. Isso significa arregaçar as mangas e ajudar a enfrentar desafios locais persistentes. Nas décadas de 1970 e 1980, quando as empresas multinacionais ligaram pela primeira vez a sustentabilidade ao sucesso nos negócios, o principal catalisador foi a vulnerabilidade, e não o altruísmo. A pressão do consumidor, os boicotes políticos e as acções judiciais onerosas estavam a prejudicar os resultados financeiros das empresas, e as políticas ambientais ajudaram a proteger as empresas da publicidade negativa e a proteger os accionistas de perdas dolorosas.   Hoje, a responsabilidade social das empresas e a sustentabilidade não têm mais por base o medo. Em vez disso, a sustentabilidade é vista simplesmente como uma necessidade para o futuro. Isto é particularmente verdade para as indústrias que dependem da agricultura - como o negócio do chocolate.   Com o consumo de chocolate próximo de máximos históricos, as empresas de chocolate, como aquela em que eu trabalho, devem estar a saborear o sucesso. Mas estamos a enfrentar um desafio iminente. A menos que possamos ajudar a produzir uma cultura de cacau mais sustentável, o mundo pode um dia precisar de encontrar um novo deleite de eleição.   Os cacaueiros prosperam numa faixa estreita de países ao longo do equador, onde o clima é quente e húmido. Dois países apenas - Costa do Marfim e Gana - produzem a esmagadora maioria do chocolate que os americanos comem. O cacau da África Ocidental é uma parte importante do sabor único da Hershey, mas, nessa região, os cacaueiros estão a envelhecer e a tornar-se menos produtivos.   No passado, quando os produtores de cacau enfrentavam a diminuição do rendimento das plantações, simplesmente limpavam as florestas e recomeçavam. Mas hoje, esta abordagem é ambiental e socialmente inaceitável. A única solução sustentável é semear novas árvores nas antigas plantações de cacau. Infelizmente, o crescimento populacional, a urbanização e os fracos direitos sobre as terras estão a aumentar a procura por terra, minando assim a capacidade de muitos agricultores de investir e replantar as suas propriedades. Como resultado, a reabilitação das plantações não está a ocorrer ao ritmo e escala que empresas como a minha precisam para responder à procura futura de forma sustentável.   A escala do desafio que enfrentamos é significativa. Para responder à procura global de 7,2 milhões de toneladas métricas de chocolate por ano, multinacionais como a Hershey dependem de milhões de produtores de cacau, cada um deles cultivando uma pequena parcela, geralmente de 1 a 2 hectares. As nossas complexas cadeias de valor alcançam alguns dos cantos mais remotos do mundo. Para manter a produção, precisamos de novas abordagens para ajudar esses agricultores a cultivar cacau de forma sustentável.   Se nós, no sector do cacau, lidarmos bem com o desafio actual, poderemos ajudar a construir um caminho para o fornecimento mais sustentável de outros produtos agrícolas. Essa é a motivação por detrás da nova parceria da Hershey com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e a ECOM, o nosso maior fornecedor de cacau no Gana. No ano passado, lançámos um pequeno programa-piloto para ajudar os pequenos agricultores a aumentar a produção de cacau, eliminar a desflorestação causada pelo cacau e aumentar a resiliência. Em particular, a iniciativa tem como objectivo abordar dois desafios enfrentados por todos os produtores na África Ocidental: posse da terra e financiamento.   De acordo com a Comissão de Terras do Gana, menos de 2% dos 800.000 agricultores de cacau do país têm direitos legais sobre as terras que cultivam. Em vez disso, os agricultores têm acesso à propriedade por meio de acordos informais com um chefe ou proprietário das terras. Tradicionalmente, esses acordos orais permitiram que os agricultores limpassem as florestas e começassem a cultivar.   Mas assim que os cacaueiros param de produzir depois de mais ou menos 30 anos - ou mais cedo ainda se uma doença atacar - os agricultores precisam de obter permissão do proprietário original para replantar. Numa época de procura historicamente alta por terras, os chefes e proprietários de terra estão cada vez mais a recusar os pedidos dos agricultores para replantar. Isso deixa os agricultores com duas opções, nenhuma das quais positiva: limpar as florestas virgens e começar de novo ou sair do negócio por completo.   A parceria com a USAID e a ECOM procura resolver este problema eliminando alguns dos obstáculos à replantação. A ECOM criou um modelo de financiamento inovador que ajuda os agricultores a remover árvores velhas ou doentes e a replantar com árvores híbridas resilientes e mais produtivas. Também estão a ser plantadas árvores de sombra, milho e bananas para ajudar a diversificar os rendimentos e a aumentar a produtividade. A ECOM gere as plantações durante três anos, devolvendo uma parte dos lucros aos agricultores, enquanto recupera os custos iniciais.   Ao mesmo tempo, a USAID está a mapear as terras dos agricultores de cacau e a documentar os seus direitos consuetudinários. Chefes locais certificam os mapas, melhorando assim a segurança da posse dos agricultores. Os chefes também estão a ser treinados em mediação, para ajudar a apoiar as reivindicações de terras dos agricultores.   Dado que esta abordagem consegue resolver um problema que é visto há muito como complexo demais para ser gerido, poderá tornar-se um modelo para o futuro. Com o crescimento populacional a aumentar a procura e a reduzir a terra disponível, as empresas terão de incorporar a sustentabilidade nas suas operações. Isso significa arregaçar as mangas e ajudar a enfrentar desafios locais persistentes, como os direitos à terra, que impedem tanto o desenvolvimento económico como a saúde de longo prazo das cadeias de fornecimento internacionais.
Agricultural production

Resinagem em Portugal: Um Foco de Esperança

2018, Dec 18
O setor da Resinagem em Portugal, depois das fulgentes décadas de 60, 70 e 80, e posterior declínio, parece voltar agora a despertar interesse para os profissionais do setor. A criação da primeira associação dedicada exclusivamente a esta fileira, a ResiPinus, é exemplo disso mesmo. Porém, com a área ardida nos últimos anos em território luso, é impossível pensar em voltar a atingir os mesmos valores nos próximos anos. Mas é também na prevenção e proteção das florestas que esta atividade gera interesse. Portugal, que foi um dos líderes mundiais deste produto, tendo chegado a produzir 140.000 toneladas em 1984, contrastando com a modesta produtividade mais recente, de 6.000 tn em 2012, ou 4.500 tn em 2009. A resina é formada por várias substâncias (ácidos, álcool e óleo) e da destilação da resina obtêm-se dois produtos para a indústria de 1ª  transformação: a terebintina (ou aguarrás) e a colofónia (também conhecida por pez). Depois da matéria-prima transformada, ela passa por uma outra indústria (a de 2ª transformação), onde os produtos derivados terão como destino os mais diversos fins, desde a área da medicina e indústria farmacêutica até às borrachas, passando pela cosmética e até mesmo a indústria alimentar (pastilhas elásticas). Em Portugal a resinagem é feita no pinheiro-bravo e também no pinheiro-manso, sendo uma atividade regulamentada por lei. Atualmente, em Portugal, existem 6 fábricas de 1ª transformação e o mesmo número de empresas na 2ª transformação. Na área do comércio e extração contam-se perto de 100 e, na atividade concreta da extração da resina, os denominados resineiros, existem cerca de 500. Segundo António Salgueiro, vice-presidente da ResiPinus, a produção total de resina em Portugal representa apenas 10% da necessidade de consumo do país. António Salgueiro é também administrador da GIFF S.A., uma empresa de gestão integrada de fogos florestais, e foi por esta via que entrou na atividade da resinagem, devido ao potencial desta na prevenção de incêndios, que tanto têm afetado o nosso país. Está na área da engenharia florestal desde finais da década de 80, tendo entrado no setor da resinagem há três. Por estar no setor por causa dos incêndios, não se considera o agente tradicional do mesmo. Através da criação de emprego e da gestão dos espaços florestais, António Salgueiro adianta que a resina pode e deve funcionar como um produto indireto que pague essa mesma gestão. AGROTEC: Porquê o aparecimento de uma associação apenas em 2014? António Salgueiro: Teria feito todo o sentido ter aparecido muito antes, até porque a atividade da resinagem já foi muito mais importante do que aquilo que é hoje em Portugal.O pico máximo de produção/extração de resina em Portugal foi nos anos 80. Mais precisamente nos anos de 83, 84, e depois a atividade veio a cair. E caiu muito. Neste momento, há novamente um interesse e portanto é aproveitar em parte este novo interesse que existe pela atividade da resinagem, para tentarmos que os novos operadores que apareçam estejam enquadrados numa nova associação que os possa representar. AG: Portugal já foi, como até já referiu, um dos maiores produtores de resina. Diz-se que esta queda deveu-se à entrada no mercado em força de alguns países com grande capacidade produtiva, como a China, que vieram também criar especulação e instabilidade no mercado. Foi este o factor originou a queda subsequente? AS: Foram vários fatores. Um deles, como menciona, foi a forte concorrência mundial de alguns países, como a China, e a respetiva capacidade produtiva dos mesmos, mas eles não começaram a produzir resina nos anos 80, já a produziam antes. Um outro fator foi o facto de termos entrado para a Comunidade Europeia com o complexo de sermos um país com muita atividade no setor primário, os próprios operadores tinham algum complexo em relação a isso, e as pessoas abandonaram muito as atividades rurais. Essa é uma das razões. A outra razão é também a redução do preço da resina nos mercados mundiais e, uma das razões muito fortes, deveu-se aos incêndios florestais: tivemos muitos resineiros que purae simplesmente faliram porque perderam tudo num único incêndio. O investimento na resina é extremamente ingrato porque investe-se durante 6 ou 7 meses e realiza-se capital quando se vende a resina e muito do capital durante o período de maior risco de incêndios está nos pinhais e, portanto, se o pinhal arder, todo o investimento que foi feito até esse dia desaparece. E nós tivemos incêndios muito grandes nos anos 90 e sobretudo nos anos 2000. Isto foi sempre em crescendo e muitos dos resineiros perderam tudo o que tinham ganho muitas das vezes num único incêndio. AG: E investimentos de anos, muitas das vezes… AS: Sim, porque a perspetiva do resineiro é particular. Não é o tipo de operador que vai à banca pedir dinheiro para financiar o seu projeto. O que vai fazendo é: com o que consegue ganhar num ano, tenta no seguinte aumentar um pouco a área de incidência, e assim sucessivamente. Portanto, reinvestia o que ganhava mas sempre com o risco de poder perder tudo de repente, que foi o que aconteceu com um grande número deles. Ainda hoje é uma das principais limitações para o exercício da atividade. Existem duas grandes limitações (para além, obviamente, de outras de menor influência) na atividade da resinagem: uma delas são os incêndios florestais, porque se pode perder tudo num incêndio, e a falta de seguro da resina em caso de incêndio florestal. Nos não queremos “segurar” árvores, pois elas não são dos resineiros, normalmente elas são alugadas num contrato de parceria com os proprietários ou os representantes dos proprietários, o objetivo é “segurar” a resina: não é possível de momento no país e é um dos objetivos da associação, conseguir que as seguradoras se interessem pelo tema e que criem um seguro para este fim. AG: E vê isso como algo exequível no curtoprazo? Existe abertura por parte das entidades interessadas? AS: Sim, à partida será interessante. Nós temos seguradoras interessadas no tema, nós temos vindo a enviar informações sobre o que é a atividade, os números que ela envolve, os riscos, etc. Há interesse da parte das seguradoras. É um processo algo lento porque sempre que se pega num assunto novo, numa seguradora que não tenha especialistas dentro do setor, têm que estudar o mesmo, o que faz com que não seja possível acontecer de um dia para o outro. De qualquer forma, temos esperança, pois à partida parece um produto interessante, como todos os outros que existem no mercado, e temos esperança que as seguradoras venham a desenvolver um seguro neste sentido. AG: Acredita que agora pode ser o ponto de reviravolta/rejuvenescimento do setor? AS: Algum desenvolvimento vai ter e já está a ter, por várias razões: pelo preço do barril do petróleo, que tem influência. A partir do momento em que ocorreu a guerra do golfo e com tudo o que se seguiu, que acabou por levar à estabilização em alta do preço do petróleo. O petróleo tem alguns derivados que são concorrentes dos derivados da resina e portanto, enquanto o preço deste combustível se mantiver nestes níveis, à partida o valor da resina não estará em baixa. Um outro fator muito importante é cada vez mais a tendência dos consumidores por produtos renováveis e naturais: a resina é um desses produtos. Não tem nada de artificial na extração da resina e é um produto renovável. O pinheiro continua a crescer e a produzir resina. Portanto, é um produto que, se não for explorado, ele continua no pinheiro, mas sem qualquer rendimento, se o explorarmos, estamos a tirar um rendimento, para além do pinheiro produzir mais resina quando ele é resinado. É portanto um produto renovável, sustentável e que permite o desenvolvimento rural e a criação de emprego. E isso é o tipo de produtos que, felizmente, o mundo globalizado tem vindo a valorizar. Nesta perspetiva, tenho esperança que a resina venha a ser desenvolvida. Nós, em termos de país, não tempos qualquer aposta no setor da resina. Pura e simplesmente não existe, é um setor apenas ignorado. E mesmo agora quando se tem vindo a falar nestes últimos 2 ou 3 anos um pouco mais do setor, os nossos órgãos de decisão continuam a ignorá-lo, mas penso que os operadores, por eles próprios, venham a ter alguma perspetiva de crescimento, por várias razões, algumas delas por “más” razões, que é a falta de emprego no mundo rural. AG: Vê esse fator como uma oportunidade?AS: Nós temos tido valores de desemprego muito altos no mundo rural, o que leva à existência hoje em dia de pessoas disponíveis para trabalhar. Contrariamente àquilo que a maioria das pessoas pensa, que a atividade da resina é muito dura e desagradável, nós, nas pessoas da empresa (GIFF) que enviamos para irem trabalhar para a resina, têm vontade de ficar a trabalhar na resinagem: não têm que cumprir horários, têm que cumprir objetivos, fazem-no como quiserem; trabalham dentro de áreas florestais e como tal têm uma atividade com a natureza, às vezes chove e outras vezes está demasiado sol, mas é uma atividade ao ar livre e portanto é uma atividade muito mais agradável do que muitas atividades que os atuais resineiros que estão a trabalhar connosco já tiveram noutros tempos. Portanto, por aí há também alguma esperança. O nosso Estado não tem apostado nada na resina nem na gestão florestal e, consequentemente, temos algumas áreas que são geridas pelo Estado e que não têm uma gestão adequada e não produzem a resina que poderiam produzir mas, em todo o caso, temos alguma possibilidade de crescimento, e temos uma indústria que precisa da nossa resina.Nós produzimos neste momento menos de 10% da resina necessária para a indústria portuguesa, e portanto esta vai comprar a matéria-prima fora do país. AG: E onde é que nós podemos vir a ser competitivos com países como o Brasil e a China, que têm apostado na resina e no seu desenvolvimento e investigação?AS: Sobretudo melhorar geneticamente as espécies para elas produzirem mais resina, mas esses países também estão a fazer um esforço muito grande em se industrializar e, se eles agora exportam matéria-prima, a perspetiva de futuro desses países não é de exportar a matéria-prima resina: é a de exportar produtos derivados da resina. A nossa indústria (europeia), já sente algumas dificuldades, e parece vir a sentir cada vez mais, no abastecimento. E, se não for possível comprar resina, a indústria deixa simplesmente de existir. A resina é transformada em dois processos. Há uma primeira fase de destilação, onde é limpa e separada em dois produtos, a aguarrás e pez (ou colofónia). E depois esse pez dá origem a dezenas de derivados já numa indústria de segunda transformação. E nós temos das indústrias de 2ª transformação mais fortes a nível mundial ainda hoje. Daí a nossa expectativa e esperança é que, por um lado, saber que existe disponibilidade de mão-de-obra no mundo rural e por outro, a nossa indústria precisará cada vez mais, pensamos nós, da resina que cá é produzida. AG: Há portanto uma oportunidade bem identificada…AS: E já temos um exemplo. Tem vindo a aumentar a produção em Portugal, ela aumentou cerca de 10% nos últimos 2 anos, mas temos a nossa vizinha Espanha, sobretudo na região de Castilha Leão, que apostou significativamente na resina, nunca deixando morrer a atividade, e a produção de resina espanhola naquela região triplicou nos últimos 4 anos. Onde as coisas estão mais estruturadas o crescimento tem sido exponencial. Aqui é mais lento devido essencialmente à falta de apoios e organização. AG. Quais as grandes limitações que encontra? AS: Algumas. A falta de gestão de muitas áreas de pinhal. Isso tem repercussões na produtividade e na produção de resina. Se nós tivermos muitas árvores por hectare e poucas árvores, de entre essas muitas, que possam ser resinadas, elas produzem pouca resina porque estão sob stresse, por terem demasiadas árvores por unidade de superfície.É uma questão de densidade. Se nós tivermos 400 árvores por hectare e as 400 forem resinadas, nós temos uma determinada produção de resina por ano, se tivermos as mesmas 400 árvores resináveis, mas se tivermos 1000 árvores no mesmo espaço, existem 600 que não estão a ser resinadas, mas todas elas estão em competição umas com as outras pelos nutrientes e, portanto, esses povoamentos produzem logo menos resina do que se tivéssemos apenas aquelas 400 nesse espaço. A falta de gestão também tem implicações graves no risco de incêndio e, como em Portugal quando arde nunca é responsabilidade de ninguém, normalmente o resineiro se lá estiver, é o que paga mais, porque fica sem tudo o que lá tinha. AG: Falou que a produção representa apenas 10% da necessidade de consumo no nosso país, portanto nem sequer se coloca para já a porta da exportação. É possível conseguirmospreencher a necessidade de consumo interno? AS: Não o conseguiremos. Os melhores povoamentos de pinheiro bravo perderam-se neste país com os incêndios dos últimos anos. Ainda temos o Pinhal de Leiria que tem, de facto, uma boa gestão e com pinheiros de boas dimensões. Do resto uma grande maioria perdeu-se. Nós perdemos cerca de 500.000 hectares de pinheiro bravo nos últimos 40 anos. Apesar de termos feitos muitos investimentos para proteger, plantar, etc, perdemos quase meio milhão de hectares, o que significa uma perda à volta de 30% da área de pinhal nestes últimos 40 anos. E perdemos os melhores povoamentos. E portanto, nem que resinássemos todo o potencial que existe neste momento de pinheiro bravo no nosso país, já não conseguiríamos abastecer a indústria nacional.   AG: Então o objetivo passa por atingir que metas? AS: Atingir os 20, 25% do abastecimento da indústria nacional. AG: Em quantos anos? AS: Em 4 ou 5 anos seria possível. AG: Então é um objetivo bastante positivo...Será no mínimo dobrar a capacidade produtiva… AS: Sim, mas a resina é das poucas atividades neste momento de que se fala no setor primário que se está a desenvolver que não tem qualquer apoio. Para conseguirmos umameta destas teria que existir algum apoio ao setor, senão levar-nos-á muito mais tempo. AG: Partindo do princípio que se gerará apoios para a consecução dos objetivos no espaço temporal entre 4 e 5 anos, qual o limite na nossa capacidade produtiva? Com os 20% já atingimos o nosso limite ou é possível atingir posteriormente uma meta mais elevada? AS: Depende. Neste momento, a legislação que existe, que é de 1957 e está completamente desatualizada (mas é a que existe, e temos que nos reger por ela), as multas são extremamente pesadas. Podemos até considerá-las como um roubo. Devido ao desfasamento da realidade e analisando aquilo que se pode ganhar com o custo que poderá originar uma infração. Na legislação atual, só podemos resinar árvores com um diâmetro de resinagem superior a 25 cm. Se nós tivermos uma boa gestão das áreas de pinhal daqui para a frente, e se tivermos cada vez menos incêndios, teremos cada vez mais povoamentos que neste momento não têm dimensão a entrar na fase que já podem ser explorados para estaatividade e, assim, o aumento de produção pode ser gradual. Isto será possível apenas se invertermos o ciclo, que tem sido de perda de áreas em vez de ganhos. Algo que é difícil de acontecer… AG: Portugal já foi um dos principais produtores de resina mundiais… AS: Foi o 3º maior produtor a nível mundial nos anos 80. Produziu cerca de 140.000 toneladas de resina num ano. Nós nem que quiséssemos, hoje nunca conseguiríamos produzir140.000 toneladas de resina: não temos pinhais para isso. E isto mudou em 30 anos… AG. Ou seja, o grande problema não foi o aumento da concorrência externa, mas sim a deterioração da capacidade portuguesa. AS: Atribuímos sempre à competição da China e etc. os problemas, o que em parte é verdade, porque a dada altura os preços da resina baixaram bastante, e isto teve uma importânciamuito grande mas, nem que nós quiséssemos acompanhar, não conseguiríamos, pois fomos perdendo matéria-prima ao longo dos anos. AG: Nesse sentido, e relativamente aos incêndios florestais, de que forma o setor da resinagem pode contribuir para a prevenção/combate aos fogos florestais? AS: A grande vantagem está nos efeitos indiretos na atividade de uma empresa de resinagem, por isso é que na empresa que represento fomos para a resinagem.Este país tem investido, de facto, alguma coisa em prevenção e, em combate, muita coisa, e não tem conseguido resolver os problemas f lorestais, bem pelo contrário.Começámos a investir significativamente a partir da década de 2000 e os piores incêndios que tivemos foram a partir desse ano. Estamos com uma progressão direta entre custo e prejuízo. Cada vez se investe mais e cada vez temos mais áreas de valores interessantes completamente destruídas. O que é que a resina pode aqui fazer? Pode ser uma prevenção produtiva. A maior parte das ações preventivas de gestão de combustíveis que temos são um investimento diferido no tempo, e sem retorno financeiro. Investimos para proteger. O incêndio pode ou não ocorrer. Nós com a resinagem pretendemos ter pessoas para fazer vigilância, que não são pagas para o fazer, andam a resinar e, com esta atividade, fazem vigilância, pelo menos as horas que lá estão. A própria atividade dessas pessoas, pelo pisoteio, pelas visitas à mesma árvore de forma periódica, já faz alguma gestão de combustíveis e nós, no nosso caso particular, damos formação de 1ª intervenção a incêndios aos resineiros. Damos alguma formação às equipas de resineiros que temos, para que possam tentar apagar o incêndio o mais rápido possível, ou como comunicar prontamente às autoridades competentes. Eles estão a fazer uma atividade produtiva em que se espera algum retorno financeiro, quer para o proprietário dos pinhais quer para quem está a fazer a exploração e, acima de tudo, para os próprios resineiros que estão a exercer uma atividade remunerada e simultaneamente podem contribuir para ajudar a resolver o problema dos incêndios florestais. É esta a perspetiva que se pretende. AG: Ou seja, aproveitar o potencial económico da atividade e usá-la em favor da prevenção… AS: Exatamente. Um contributo para a sociedade em geral. Daí considerarmos que seria da maior justiça existir um apoio para a resinagem até porque o país gasta imenso dinheiro na prevenção e de forma inconsequente. Ao apoiar na resinagem o governo está a potenciar uma atividade produtiva, que tem valor acrescentado e é utilizada e transformada na indústria nacional. Outro aspeto interessante da resina é que praticamente todos os derivados da resina são exportados. Fala-se muito no aumento das exportações do país, mas o aumento das exportações no país tem sido muitas vezes à custa de produtos derivados do petróleo. Mas nós para exportarmos derivados de petróleo temos que adquirir primeiro, porque não somos produtores desta matéria-prima. No caso da resina, isso não acontece, nós exportamos derivadosde resina, se conseguirmos que isso seja feito cada vez mais com resina produzida cá, o processo é integralmente interno. AG: Existe alguma estratégia comunicacional para esta prevenção? AS: Sim, já tivemos uma audiência na Secretaria de Estado, temos também apostado nos meios de comunicação social. Mas temo-nos deparado com alguma resistência e tambémdescrédito por parte dos órgãos competentes, que vêm a resina como uma atividade do passado e não de futuro, e tem sido difícil mudar essa mentalidade.   AG: E na Europa? AS: Temos, por exemplo, o caso da vizinha Espanha, onde existem nas áreas resinadas contratos-programa, em que as outras atividades de âmbito florestal que têm que ser realizadas, como por exemplo o arranjo dos caminhos, o desbaste, e outras atividades de silvicultura, são adjudicadas às equipas de resineiros que trabalham nessas áreas, e isso fecha o ciclo: os resineiros fazem também parte da gestão, em vez de trabalharem 6-9 meses por ano trabalham o ano todo. Não é artificial, onde é necessário obter subsídios. E é isso que estamos a tentar fazer aqui também, só que a começar pela base. AG: E relativamente aos produtos exportados? AS: Nós não exportamos resina, exportamos produtos derivados da resina. Praticamente 100%. Os derivados da resina são usados em vários produtos, desde chiclets a endurecedores de pneus e perfumaria, que só se produzem lá fora, nós aqui transformamos e vendemos a essas empresas. AG: Que futuro prevê para a atividade? AS: Penso que, para haver um crescimento gradual do setor, existem dois pilares fundamentais: reunirmos as condições para uma gestão florestal eficiente, que permita ter uma prevenção eficiente e a existência de seguros que protejam os resineiros.   A sobrevivência desta fileira em Portugal desde os finais da década de 80 deveu-se sobretudo à resiliência e visão estratégica de algumas empresas do setor que, apesar da grande quebra de produção nacional, conseguiram se reposicionar e manterem a competitividade no mercado mundial. Para Adriana Monteiro, Sócia Maioritária da Resal, a grande dificuldade desta atividade é a falta de matéria prima, dado “Portugal ter abandonado muito a resinagem nos últimos anos”,juntando o facto de a importação também não ser fácil, afirmando que “os países maioritariamente exportadores, como o Brasil e a China, não estão neste momento a exportar”, devido à necessidade de abastecerem os respetivos mercados internos. Manuel Barbeiro Costa, presidente do grupo Respol, relembra o facto de, na altura em que se iniciou nesta atividade, existirem “mais de 40 fábricas de resina. Hoje, restam três ou quatro.” Para o presidente daquele grupo, esta situação deve-se “ao custo de mão-de-obra e com a própria maneira de produzir, que se alterou”. Mas, no seu entender, a maior dificuldade que o setor enfrenta é a concorrência da China que “por vezes pratica preços muito elevados, outras vezes muito baratos. É preciso estar sempre à tona da água para sobreviver.” Adriana Monteiro concorda, afirmando que “a perda de força da resinagem em Portugal foi mais notória com o aparecimento da produção em grande escala por países como a China e Brasil”. A falta de recursos humanos para a resinagem era também um constrangimento, mas ambos os empresários mencionam que, nos últimos anos, tem aparecido mais gente com interesse em trabalhar no setor.   Um outro aspeto que reúne consenso por parte dos responsáveis destas empresas é a falta de uma política de gestão dos pinhais. Por um lado, o grande número de proprietários dos terrenos com pinhais em Portugal, que algumas vezes estão disponíveis para arrendar os pinhais e noutras não, o que gera um clima de incerteza e instabilidade. Por outro lado, reforçam a ideia da ResiPinus, e apontam o dedo à gestão ineficiente das Matas Nacionais por parte do Estado, que não tem uma política de aluguer dos pinhais e “vê o resineiro como inimigo, quando é o madeireiro quem corta a árvore”. A aposta em tecnologia e inovação é considerado um fator chave para a sobrevivência e sucesso nestas empresas. No caso da Respol, o grupo já investiu 5 milhões de euros nos últimos 10 anos em tecnologia e, para contornar o facto de Portugal se  encontrar numa zona geograficamente periférica, a empresa adquiriu, recentemente, uma fábrica na Finlândia, para “levar algumas das resinas que são produzidas cá para aquele país, valorizando o nosso produto e ultrapassando a questão dos transportes, que nos saem muito caros”. O contributo para a prevenção contra incêndios e gestão florestal que a atividade da resinagem traz não é esquecida pelos empresários. Adriana Monteiro afirma que “além de gerar postos de trabalho e ajudar na economia nacional, é também importante a nível ambiental, pois ajuda a manter as florestas limpas. A própria atividade laboral tem maior incidência no verão, o que contribui para uma forte vigilância nas alturas de maior risco deste tipo de flagelos ocorrer”. Manuel Costa acrescenta ainda que “a necessidade de visitar frequentemente (de 20 em 20 dias) cada árvore para extrair a resina, é também o que torna a mão-de-obra onerosa”. Apesar dos constrangimentos, os empresários vêm o futuro com confiança, acreditando que o setor terá um crescimento gradual pois, se o setor crescer, todos ganham. Veem como os seus maiores concorrentes… os incêndios e o petróleo. Para o resineiro, esta é uma atividade sazonal, que varia entre 6 a 9 meses, desenvolvida integralmente nos espaços florestais. O profissional desta atividade faz a limpeza de uma parte da casca do pinheiro para poder resinar e, posteriormente, com uma frequência regular (entre duas a quatro semanas), “visita” o mesmo pinheiro – é este o termo usado – para renovar, para abrir mais uma fiada e para aplicar uma pasta para promover a produção de resina. Rui Duarte é um desses resineiros, começou a trabalhar nesta área desde os 11 anos de idade, por intermédio do seu pai, que também era resineiro. É empresário em nome individual e exerce atividade na zona de Boticas, contando com mais cinco colaboradores nas alturas de maior intensidade laboral. O seu papel na cadeia de valor desta fileira concentra-se na extração da resina das árvores, armazenando-a dentro de recipientes e vendendo posteriormente para as fábricas que a transformam. Atualmente, vende maioritariamente para empresas de Albergaria e Leiria. AG: Como caracteriza o exercício desta atividade? Quais as principais dificuldades e oportunidades que encontra? Rui Duarte: É uma atividade que necessita de alguns conhecimentos técnicos, como por exemplo a desencarrasca – é uma das técnicas utilizadas para a primeira etapa de preparação do pinheiro para posterior extração da resina – implica algum desgaste físico, pois são oito horas diárias a caminhar por montes, muitas das vezes íngremes. Uma das principais dificuldades com que me debato todos os anos é nos meses de verão, devido ao flagelo dos incêndios, que têm atingido a região onde me encontro, não havendo qualquer tipo de apoio, seja económico ou social, nem investimento na renovação das áreas ardidas. AG: Não mencionou oportunidades…RD: Porque, sinceramente, não me parecem existir. A continuar assim, é uma profissão em vias de extinção. AG: Portugal já foi um dos principais produtores mundiais de resina, mas veio a perder essa liderança. Na sua opinião, qual o fator determinante para isto ter acontecido? RD: A extinção do pinheiro bravo, quer por cortes, quer por incêndios, e a falta de replantação deste e também a falta de mão-de-obra disponível. AG: O que deverá ser feito para contrariar esta situação? RD: Maior apoio por parte das instituições governamentais, pois atualmente esta atividade é completamente esquecida. Existem apoios para a agricultura, pessoas individuais ou empresas, mas para quem investe na extração da resina nenhum apoio é facultado, mesmo quando existe um grande prejuízo, como por exemplo os incêndios, onde por vezes seperde uma vida de trabalho. AG: Que conselhos dá a quem pensa iniciar-se nesta atividade? RD: Ponderar bem os prós e os contras, pois é uma atividade que não deve ser encarada como uma atividade fácil, pois existem algumas condicionantes, mesmo em termos de legislação.
Resin Extraction

Ovibeja 2019 vai debater contributos dos agricultores para reverter alterações climáticas

2018, Dec 18
Mitigação e reversão das alterações climáticas vão juntar especialistas nacionais e internacionais na Ovibeja Em 2019, a Ovibeja vai debater, como tema principal, os impactos das alterações climáticas, as suas consequências para a agricultura e o papel dos agricultores como guardiões da biodiversidade. Com a certeza de que “não há agricultura sem homens nem homens sem agricultura”, os homens da terra são o grupo profissional que está na linha da frente para a tomada de medidas que permitam continuar a produzir alimentos e a desenvolver e dinamizar o espaço rural de forma sustentável. Apresentação e análise de estudos, colóquios, seminários, sessões de esclarecimento, exposições, são alguns dos figurinos que vão reunir contributos de agricultores, estudantes, técnicos e especialistas nacionais e internacionais para o esclarecimento e tomada de medidas sobre esta matéria da ordem do dia. Os agricultores são peças chave na construção da paisagem, com contributos fundamentais para a mitigação e reversão dos impactos causados pelas alterações climáticas. Além da produção de alimentos de origem vegetal e animal, o agricultor é também responsável pela proteção do espaço rural, pela criação de condições que salvaguardem o equilíbrio entre a atividade produtiva e a proteção do meio ambiente. A Direção da ACOS – Associação de Agricultores do Sul, entidade organizadora da Ovibeja, considera que o empenho e o esforço dos agricultores na manutenção e salvaguarda do meio ambiente tem de, necessariamente, ser tido em conta na nova Política Agrícola Comum. Para tal, a ACOS está a reunir contributos, com base em parcerias, sessões de esclarecimento e reuniões, de modo a trabalhar, reunir e veicular informação relevante sobre a matéria. A 36ª edição da Ovibeja, agendada para a semana de 24 a 28 de Abril de 2019, vai também contar com mais uma edição do Concurso Internacional de Azeites Virgem Extra – Prémio CA Ovibeja, a 9ª edição, com lugar cimeiro no ranking dos melhores concursos do mundo.
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